CURSO DE INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO CIENTÍFICO - topo do site

O CEGAS convida a comunidade acadêmica da UFSJ para participar do Curso de Introdução ao Pensamento Científico. Com temática voltada ao desenvolvimento do pensar científico e sua inter-relação com as ciências em geral, o curso é voltado a alunos e pesquisadores interessados em ampliar as reflexões acerca das relações entre sujeito e objeto de conhecimento.
Composto por 4 módulos, sendo 3 deles voltados à epistemologia e 1 à metodologia, o curso ocorrerá de 10 a 13 de maio de 2016, no CRT-CTAN (sede do CEGAS), das 9 às 12h. A certificação de horas será garantida aos alunos que participarem de, ao menos, 75% das atividades. A inscrição, que é gratuita, deve ser realizada antecipadamente pelo formulário eletrônico abaixo, e está limitada ao número de vagas do curso. A bibliografia básica selecionada para cada módulo já está disponível no Google Drive do curso.

INSCRIÇÕES ENCERRADAS

 

Módulo I –  A prática da ciência e a ciência como prática

João Paulo Araújo é professor de Teoria e História do Direito na UFJF/GV.
  1. Ementa

O módulo tem por objetivo providenciar as bases para uma compreensão crítica da ciência enquanto atividade social historicamente localizada. Para tanto, em um primeiro momento, tentará demonstrar as práticas internas dos cientistas como operações fechadas em torno de pressupostos indisponíveis ao questionamento. Em um segundo momento, buscará estabelecer a ciência enquanto prática social, revelando o lugar que ocupa dentro da tensão constitutiva do capitalismo democrático.

 

  1. Programa

1 – A prática da ciência

O que é Ciência, afinal? A. F. Chalmers e senso comum científico

A ciência vista de dentro: Thomas S. Kuhn e a constituição da ciência normal.

 

2 – A ciência como prática social

Paul Feyerabend e as deficiências do método.

Pierre Bourdieu e a ciência no campo das trocas simbólicas

Bibliografia básica selecionada

  1. KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. Trad. Beatriz Viana Boeira e Nelson Boeira. São Paulo: Perspectiva, 2013, pp. 77-92 (Capítulo 5 “A anomalia e a emergência das descobertas científicas)
  2. BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência; por uma sociologia clínica do campo científico. Trad. Barbara Catani. São Paulo: UNESP, 2004, pp. 17-48

 

Módulo II – A questão da verdade nas ciências do espírito

João Paulo Araújo é professor de Teoria e História do Direito na UFJF/GV.
  1. Ementa

Neste módulo, trataremos o problema epistemológico das ciências do espírito, vale dizer, discutiremos a possibilidade de enunciados verdadeiros no campo das ciências que tem por objeto o homem e sua vida histórica, bem como a questão indissociável dos usos de tais enunciados. Assim, examinaremos a mais bem sucedida resposta ao problema, na forma do positivismo enquanto modelo de racionalidade centrado no método. Partindo de tal diagnóstico, buscaremos delimitar as duas principais correntes epistemológicas que surgem em crítica ao modelo positivista: a tradição da sociologia crítica da Escola de Frankfurt e a hermenêutica fenomenológica. A exposição das críticas ao positivismo deverá nos permitir uma exame acerca do problema da verdade e sua articulação com processos de formação e dominação sociais.

  1. Programa

1 – Os dogmas do positivismo nas ciências sociais

– Neutralidade, objetividade e progresso: Karl Popper e a lógica das ciências sociais

– O economicismo como paradigma.

2 – A questão da verdade nas ciências do espírito

– Hans-Georg Gadamer e a hermenêutica das tradições.

– O papel da historicidade do conhecimento.

3 – Ciência, técnica e dominação

– Martin Heidegger e a questão da técnica.

– Herbert Marcuse: racionalidade tecnológica e lógica da dominação.

Bibliografia básica selecionada

  1. POPPER, Karl. Lógica das ciências sociais. Trad. Estevão de Rezende Martins. Rio de Janeiro: Tempo brasileiro, 2004, p. 13-34 (“A lógica das ciências sociais”)
  2. GADAMER, Hans-Georg. Verdade e Método II. Ênio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2002, p 49-56 (“3. A verdade nas ciências do espírito”)
  3. HEIDEGGER, Martin. Serenidade. Trad. Maria Madalena Andrade e Olga Santos. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.

 

MÓDULO III – Razão e subjetivismo na constituição do sujeito de conhecimento

Marcelo Giacomini possui graduação em Direito pela UFV, é mestre em Estudos Linguísticos pela UFMG e doutorando em Filosofia pela UFMG, na linha de Filosofia Contemporânea. Atualmente é professor da UFJF/GV. Pesquisa principalmente os campos filosofia da linguagem, metafísica e desconstrução.
  1. Ementa

Este módulo tem por objetivos principais trazer à discussão a constituição da validade da ciência pelo sujeito de conhecimento e como tal constituição se problematiza quando se procura empreender a tarefa de conhecer o próprio “homem”, a partir da visão antropológica do saber. A abordagem dos temas propostos girará em torno da reconstituição do papel histórico-filosófico da modernidade, quando o sujeito do conhecimento se torna o núcleo privilegiado do método científico; e da pós-modernidade, onde o papel do subjetivismo começa a ser reavaliado no processo de legitimidade da ciência.

 

  1. Programa

1 – Modernidade: o sujeito como centro e caminho da validade da ciência

– O “eterno” problema sujeito e objeto

– O racionalismo, o construtivismo e o estruturalismo: uma abordagem preliminar

*O problema da interdisciplinaridade: o exemplo do método linguístico-estrutural na antropologia

– A antropologia propõe o método forte às ciências humanas

 

2 – Pós-Modernidade: subjetividade e interdisciplinaridade

– A relação entre sujeito e objeto no perspectivismo antropológico

– A subjetividade como elemento de validade do método científico(?)

Bibliografia básica selecionada

  1. MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010, p. 164 a 180.
  2. CASTRO, Eduardo Viveiros de. Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio. Revista MANA. Rio de Janeiro, 1996, p.115-144

 

Módulo IV – Metodologia da pesquisa e Normalização de trabalhos

Maria Clara Santos é mestre e doutoranda em Direito pela UFMG. Professora da UFSJ, integra o quadro de pesquisadores permanentes do Centro de Estudos em Gestão Ambiental e Sustentabilidade
  1. Ementa

Este módulo tem por objetivo principal debater questões atinentes à metodologia da pesquisa e o processo de divulgação do conhecimento. A proposta é apresentar conteúdo prático capaz de subvencionar a atividade de pesquisa e possibilitar a divulgação dos resultados obtidos. Infere-se, ainda, da crítica da técnica e da normalização dos estudos, como facilitadores da uniformização do conhecimento, porém como empecilhos ao seu alcance em um mundo digital e conectado.

 

  1. Programa

– O grande conflito entre Ciência e Ideologia é realmente um conflito?

– A ciência como disciplina intelectual:

– Estruturação do saber científico

– A questão do método científico

– Os tempos da pesquisa

– Produção científica e divulgação científica

– Plataformas de publicação

– Questões de técnica e método: ainda precisamos da normalização?