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Você conhece o Juçaí? Trata-se do fruto extraído da Palmeira Juçara (Eutherpeedulis Mart.), espécie endêmica da Mata Atlântica, e se assemelha muito com o conhecido Açaí, tendo, porém, valores nutricionais superiores ao “primo amazônico”.

De acordo com estudos, é possível verificar maior concentração de ferro (70%), potássio (63%), provitamina A e antioxidante antocianina (2956 mg/100g para o fruto seco e 290 mg/100g para o fruto fresco).

Citada na Carta de Pero Vaz de Caminha, a Juçara chegou a cobrir mais de um milhão de metros quadrados na Mata Atlântica de norte a sul do Brasil, mas infelizmente a exploração desenfreada para a extração do palmito a transportou para a lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. Importante ressaltar que o sumiço da Juçara expõe 60 espécies de animais – entre tucanos, jacus e macacos – que dependem de seus frutos para alimentação.

Visando reverter esse quadro, ambientalistas do Núcleo Interdisciplinar do Meio Ambiente da PUC-RJ criaram um Programa chamado Amável – Mata Atlântica Sustentável e a Frente Pró Juçara. O projeto pretende, dentre outros objetivos, (i) plantar 10 milhões de palmeiras Juçara nas florestas; (ii) envolver nesse plantio pequenos agricultores familiares e orgânicos, comunidades indígenas e quilombolas; (iii) incentivar o uso do fruto da Juçara na merenda escolar (sorvete ou suco feito do fruto + banana + mel) e (iv) converter palmiteiros em plantadores de Juçara e coletores legalizados de frutos (é mais lucrativo colher frutos do que extrair o palmito).

No campo legislativo, o Deputado Estadual Dr. Julianelli (REDE-RJ) elaborou o Projeto de Lei nº. 591/2015 que dispõe sobre a compra de Juçaí pelas escolas da rede pública estadual, no intuito de reforçar o caráter nutricional servido para os estudantes, estimular a produção e, consequentemente, a preservação da Palmeira Juçara.

Inverte-se a lógica, na medida em que se substitui a atividade clandestina e criminosa da exploração do Palmito Juçara, espécie em extinção, pelo sustentável modelo de plantio e replantio das sementes e colheitas do fruto. Enquanto cerca de 60 cm de palmito é vendido á R$ 4,00 reais uma única vez o fruto produzido por uma Palmeira pode render entre R$ 25 á 30 reais anuais.

A indústria alimentícia também já vêm se atentando para o poder nutritivo e mercadológico da polpa do Juçaí. Atualmente, é possível comprar sorvetes e sucos em lojas especializadas em produtos orgânicos e até mesmo em alguns supermercados. A produção é realizada na comunidade da Serrinha do Alambari em Resende, sul fluminense, que é formada por população tradicional descendente direto de povos da floresta.

Tais ações buscam recompor a importância ambiental e histórica da Palmeira Juçara, além de gerar renda e emprego para o sustento de comunidades tradicionais. Reforça, assim, compromisso de valorização, inclusive econômica, da árvore em pé.

Originalmente publicado em: http://www.politicamentesustentavel.com/#!Juçaí-e-Sustentabilidade/cu6k/56fc0fd30cf2e3ce9bb39251
Imagem: http://www.ocluster.com.br/jucai/